Geologia

Situado na região oriental do oceano atlântico, entre os meridianos 16°39' e 17°16' W e os paralelos 32°38' e 32°52' N, o arquipélago da Madeira ergue-se sob o substrato oceânico da placa tectónica africana e constitui um exemplo de vulcanismo oceânico intraplaca, constituindo um “hot-spot” (ponto quente) cuja atividade teve início há mais de 5,2 milhões de anos (m.a.). Este tipo de vulcanismo resultou de uma pluma de magma que ascendeu desde o manto até à crosta terrestre, que associado ao movimento da placa africana no sentido W-E resultou na formação da cadeia de ilhas e ilhéus que compõem o referido arquipélago.

Em termos litológico a ilha da Madeira, que conta com uma área de 742 Km2, corresponde à acumulação de materiais vulcânicos, essencialmente explosivos como é o caso das rochas piroclásticas, que conforme a dimensão são classificados de cinzas, lapilli (localmente conhecido como areão) e bombas vulcânicas, e Materiais efusivos que variam deste basaltos até traquitos e resultaram de magmas fluidos, pobres em sílica e com predomínio dos termos máficos (escuros). Estas rochas ígneas caracterizam-se ainda por uma textura afanítica (massa amorfa), decorrente da consolidação do magma em superfície (arrefecimento rápido) o que impossibilitou a formação de cristais bem desenvolvidos.

A importância geológica do concelho de Santana, exprime-se pela diversidade eruptiva dos episódios vulcânicos ocorridos ao longo de aproximadamente 17 m.a., desde o Miocénico até ao Plistocénico, identificando-se quatro períodos cronologicamente demarcados, individualizados em quatro complexos vulcânicos principais:


O Complexo vulcânico de base ou antigo, constituído essencialmente por materiais piroclásticos, compreende a porção imersa da ilha e a base da porção emersa e representa cerca de 25% da área do concelho, destacando-se:

  • A rede de Diques e filões;
  • O geomonumento "Homem em Pé";
  • O Pico Ruivo e Picos do Maciço Montanhoso Central.

Picos do maciço montanhoso central com diques e filões basálticos

Geomonumento "Homem em pé".


O Complexo vulcânico periférico está localizado em grande parte na periferia da ilha e é composto por bancadas de piroclastos alternados com escoadas lávicas com um declive acentuado. Deste complexo merecem destaque:

  • Escoada basáltica em disjunção prismática;
  • Escoada basáltica em disjunção lamelar;
  • Maciço rochoso da Penha d’Águia;
  • Formação rochosa “A cara”;
  • Afloramento fitofossilífero de São Jorge.

Disjunções prismáticas da foz da Ribeira do Faial

Formação rochosa "A Cara"


O Complexo vulcânico das lombardas superiores, localiza-se na sua maioria acima dos 500 metros de altitude e compreende as cristas interfluviais que separam os vales de bacias drenadas, designadas localmente por “lombos” e “lombadas”. Este complexo caracteriza-se por uma alternância de piroclastos e escoadas lávicas pouco espessas, litológicamente semelhantes às do complexo vulcânico periférico.

Complexo vulcânico das lombardas superiores

O Complexo vulcânico do Paúl da Serra é o conjunto vulcânico mais recente. Em termos litológicos caracteriza-se por bancadas de lavas basálticas pouco inclinadas e sub-horizontais, intercaladas com finas camadas de piroclastos que resultam na sua maioria de erupções fissurais. A Achada do Teixeira representa o melhor exemplo deste complexo no concelho de Santana.

Em Santana ainda existem outras formações geológicas associadas a aparelhos vulcânicos secundários de elevado valor paisagístico, como é o caso do Pico Redondo, no Arco de São Jorge e o Pico da Boneca, um cone de escórias vulcânicas localizado entre a Ponta do Clérigo e o Ilhéu da Viúva. A meteorização dos materiais vulcânicos deu origem a outras formações geomorfológicas de carácter sedimentar como os depósitos de vertente, aluviões, praias de calhau rolado e fajãs.

À semelhança do resto da ilha, Santana possui um relevo muito acentuado, com um declive médio de 56%, que associado à forte pluviosidade é responsável pela formação de vales profundo e encaixados, com características torrenciais.

Orografia da ilha da Madeira (Fonte: CLIMAAT II).


Quanto ao litoral este caracteriza-se por arribas altas e escarpadas, praias de calhau rolado geralmente associadas à foz de ribeiras e fajãs que resultam da instabilidade gravítica das arribas e da abrasão marítima. É ainda de referir a assimetria entre as vertentes meridional (Sul) e setentrional (Norte) da ilha, devido ao recuo mais rápido das arribas da costa Norte, como consequência do hidrodinamismo e regime de ventos predominantes de NE.

Aspecto das arribas e fajãs do litoral de Santana


Referência consultada

  • Ribeiro, O. (1985), A Ilha da Madeira até Meados do Século XX, Estudo Geográfico, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1ª edição, Lisboa.
  • Diário da República, 1ª série, Nº160 – 20 de Agosto de 2008 (PRAM) http://dre.pt/pdf1sdip/2008/08/16000/0576905837.PDF
  • CLIMAAT - Clima e Meteorologia dos Arquipélagos Atlânticos II (2006), Impactos e medidas de adopção às alterações climáticas no Arquipélago da Madeira, Direcção Regional do Ambiente, Funchal.